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Achei cem reais! Sorte minha! Azar de quem perdeu?

18 | 04 | 2016
Fala Diretora
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Achei cem reais! Sorte minha! Azar de quem perdeu?

A vida é realmente uma caixinha de surpresas!
Há quem diga que nós brasileiros somos desonestos por natureza e pelo andar de algumas muitas carruagens, podemos até justificar essa afirmação dolorosa. No entanto, radicalizar e colocar tudo no mesmo saco não é muito do meu feitio.
Na semana retrasada fui surpreendida com a presença de três alunas na minha sala: mocinhas dos seus doze ou treze anos. Uma delas balançava na mão uma raridade: uma nota de cem reais!
Disse-me que haviam encontrado tal tesouro na escada do segundo para o terceiro andar.
De posse daquele pequeno tesouro, perguntei a meio mundo se alguém havia se queixado de ter perdido dinheiro. Ninguém!
Parti então para anunciar que havia sido encontrado uma quantia em espécie no local realmente indicado pelas garotas. Nada!
Cheguei a suspeitar que a nota fosse falsa, brincadeira e pegadinha da molecada. Sendo assim, me dirigi aos “universitários”. Todos me acalmaram dizendo que a dita cuja era verdadeira, realmente verdadeira.
Quando eu já estava desistindo de procurar, alvíssaras! A professora Raquel estava perguntando se alguém havia encontrado dinheiro que ela tinha no bolso do avental.
Felizmente o peixe grande encontrou seu dono, aliás, uma dona incrédula, pois já fazia uma semana que a quantia estava conosco e ela só tinha se dado conta quando vestiu novamente o avental e se recordou do dinheiro no bolso.
Incrédula e feliz, a professora me pediu o nome das alunas para agradecer e quiçá ofertar um pequeno mimo, pois o assunto era realmente passivo de recompensa e elogio!
São essas pequenas pérolas do dia a dia que me fazem acreditar na educação que muitos meninos ainda trazem de casa e nem por um instante titubeiam em devolver aquilo que não lhes pertence. Bonito! Bonito de verdade!
Em meio a tantos ditados ridículos como: achado não é roubado ou dinheiro não tem dono, as meninas fizeram bem! Nem tudo está perdido!
Enquanto isso, na Corte Suprema da safadeza, dos conchavos, dos jeitinhos, todo mundo tentando esconder o que surrupiou em favor próprio sem nenhum escrúpulo.
Mundo, mundo, vasto mundo, quase não temos exemplos edificantes e pouca ou quase nenhuma esperança de termos alguém por nós. Somente as crianças e os jovens são nossa esperança. Sementes benditas!
Vamos, então, educá-los com carinho para que possamos pensar em dias melhores.

Drª Sonia Regina P. G. Pinheiro