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  Reclamo, logo existo e insisto num erro.  
     
 

Ultimamente ando sem paciência para conversar com pessoas que reclamam por definição. Sabe, aquele tipo de pessoa: Hay gobierno? Soy contra!

Interessante (e estressante, pelo menos para mim) é que há hoje em dia muitas e muitas pessoas assim. Reclamam por tudo e muitas vezes nem se dão conta de que estão externando opinião comprada de outros, da mídia ou seja lá de quem for.

Mesmo assim não consegui escapar da Dona Mirella. Ela veio me contar sobre os problemas que seu filho Hilário está encontrando na escola pública. Segundo ela, descobriram que ele estudou uma vida inteira em escola particular (com muito sacrifício), mas por conta de um “tombo” que seu pai levou na pequena indústria que a família tem, foi obrigado a abandonar a idéia de estudar pagando mensalidades.

Os problemas do Hilário são primeiramente as piadinhas, gozações e afrontas que ele está engolindo diariamente quando é chamado de playboy ou filhinho de papai. Some-me ainda a isso, a difícil adaptação que ele está tendo, porque está num ambiente novo onde não conhece alunos nem professores e não está se desenvolvendo bem nos estudos. Estranhou mesmo!

Até aí eu estava atenta e solidária às “agruras” da mãe, quando de repente ela começou a criticar o que chamou de “Jornal do Serra”. Perguntou-me se eu tinha visto. Vi, mas não disse nada.  Calei-me. Falou que está cheio de erros de português!!!!!!!

Disse que era um absurdo aquele material e também eram absurdas as provas que os alunos tiveram que fazer após a realização de estudos advindos do cumprimento da programação desse jornal.

Deixei-a despejar tudo e não disse uma palavra sequer, mas meus pensamentos ficaram voando em círculos ansiosos por paz.

Quando nos despedimos fiquei pensando nesses anos todos de experiência na área e  em como são difíceis as tomadas de decisão, principalmente aquelas que  são criadas para mudanças de práticas.

Para mudar alguma coisa no que não vai bem, além de conhecimentos práticos e teóricos , é preciso muita coragem.

Não tenho condições totais para criticar o material que os alunos da escola pública estadual paulista utilizaram nesses primeiros quarenta dias letivos, mas louvo ardorosamente a iniciativa. Sempre é preciso tentar mudar alguma coisa , mas estar já preparado para críticas.

Não sabemos ainda que tipo de resultados essas medidas “do Serra” trarão em benefício dos alunos, mas deveremos ficar com a mente aberta para o fato de que mudanças na educação dos jovens e crianças aparecem muito devagar, infelizmente na inversa proporção dos anseios familiares.

Se tivermos sempre uma atitude cética,  de pé atrás com todas as novas propostas com as quais nos deparamos na seara da educação, poderemos muitas vezes estar chutando um balde cheio de promessas e depois ficar à beira do caminho , chorando sempre pelo que foi derramado.

 

Sonia Regina Potenza G. Pinheiro

 
     
   
 
 
     
     
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