Muitas vezes me assusto com algumas atitudes de nossos jovens e de nossas crianças. Impossível não compará-las com as de outros tempos, não tão remotos assim.
Atualmente costuma-se apregoar que devemos dar voz aos nossos alunos, transformá-los em sujeitos críticos, pois assim os estaremos preparando para uma vida adulta mais feliz e plena.
Isso, no meu entender, muitas vezes causa conflitos, pois cada um parece entender de uma forma diferente até onde podemos deixar nossos alunos demonstrarem que são capazes de agir de forma crítica sem, contudo “passar a carroça na frente dos bois”.
Costumo sempre comparar aquilo que vivemos agora com aquilo que vivi num passado que teima sempre em me cutucar.
As crianças de meu tempo não podiam ter nenhuma opinião e nenhuma condição de criticar ou palpitar, sem que levassem uns petelecos, ou até coisa mais dura. Não podiam nem ficar na sala quando os adultos estavam conversando, qualquer que fosse o teor da prosa, até mesmo receita de bolo.
Quando tentávamos comentar algo que acontecia na escola, nossas mães estavam sempre do lado das professoras. Minha mãe ainda dizia que éramos crianças e a professora tinha estudado muito para estar naquela posição e devia ser respeitada e obedecida.
Às vezes tentávamos argumentar que a professora tinha nos castigado injustamente ou tinha falado palavras ásperas que nos faziam chorar. Que tristeza! Era reclamar e levar castigo ou palmadas em casa.
Essa criação fez em mim um calo duro que se solidificou: aqueles que estão numa posição de superioridade hierárquica devem ser respeitados de forma especial.
Por isso estranho as reclamações de pais que ficam furiosos quando seus filhos são contrariados. Muitos vão às raias da ira quando esses recebem castigos, quando a professora grita com eles ou fala alguma coisa que seja dura, imprópria ou inesperada.
Sinto inveja destes meninos tão protegidos pela família e ao mesmo tempo pena de quem ousa de forma correta ou não se interpor no caminho dos nossos futuros cidadãos!
Se é certa a educação atual, se é permissiva, se é omissa, não sei. Também duvido que nossos jovens de hoje sejam mais felizes do que os jovens de outrora. A felicidade não pertence à adolescência......
O que sei é que tanto na infância quanto na adolescência de nossos filhos e de nossos alunos é tempo de plantar. Plantemos com sabedoria, pois a colheita precisa ser boa, para o bem e para a tranqüilidade de todos.
Sonia Regina Potenza Guimarães Pinheiro