As férias terminaram!
Os alunos certamente estão com saudades da escola. Não se iludam aqueles que pensam que o motivo principal desse sentimento são os estudos, os professores, as tarefas escolares.
Eles sentem falta dos amigos. Na idade escolar, os companheiros de classe são o nosso espelho. São as nossas referências; aqueles que nos compreendem e nos acrescentam. Aprendemos às vezes mais com eles do que imaginamos.
Muitos pais também estão com saudades das aulas! Não vêem a hora de ajudarem seus garotinhos a arrumar a mochila! Querem sossego!
Os professores por sua vez, com as baterias recarregadas, se preparam para encarar mais um semestre. O grande problema do segundo semestre é que o cansaço chega na metade de setembro e então muitos de nós arrastamos o peso que vai se avolumando com possíveis problemas ou fracasso de nossos alunos e nos leva alquebrados ao final do ano.
Impossível deixar as preocupações de lado. Os alunos pensam logo na chegada do novo semestre nos resultados alcançados no anterior e se por algum acaso não tiverem obtido o sucesso esperado, chegam às salas de aula com o olhar baixo e com nó na garganta. Como proceder para recuperar as notas?
Os professores voltam para suas tarefas com iguais preocupações, pois sabem que as salas e os alunos que apresentam problemas disciplinares estarão diante deles e que nenhuma teoria, por mais avançada que seja, irá subitamente auxiliá-los a melhorar de uma hora para outra os problemas que irão enfrentar.
Outra preocupação, e essa muito maior, imensa, é com os alunos que de alguma forma apresentam rendimento escolar abaixo do esperado.
Como quiséramos ser nesse momento de constatação da dificuldade de nossos educandos uma fada ou um gênio, para mover uma varinha de condão e transformar as situações de aprendizagem que nos afligem.
Em tempos modernos, ser educador é ser um Dom Quixote a combater os moinhos de ventos da internet, das lan houses, da televisão, das drogas, das más influências enfim, de tudo que acena para crianças e jovens como atraente, fascinante, empanando o brilho da educação escolar, tão necessária na formação do homem para assumir o papel de agente de seu destino como cidadão.
Nesses últimos dias de férias, ao caminhar pela escola, sentimos a frieza do vazio, a falta dos gritos, das risadas, do barulho dos nossos alunos. Como é triste a escola sem alunos!
Que bom que esta tristeza chegou ao fim, pois não obstante as preocupações e as ansiedades de alunos e professores, com o fim das férias, a escola está novamente viva, cheia de calor humano, repleta daquilo que é a matéria essencial para sua existência.
Sejam bem-vindos! Tomara possamos juntos dar cores aos nossos sonhos e tornar realidade o desejo sincero de contribuir com garra e muita seriedade para o desenvolvimento das crianças e jovens a nós confiados.
No caminho desses sonhos residem os momentos felizes que nutrem nossa vida de sentido e significado.
Sonia Regina Potenza Guimarães Pinheiro |