Chegaram as férias após os trabalhos escolares do primeiro semestre do ano.
Certamente eram muito esperadas por professores e alunos.
Os professores necessitam mesmo de uma pausa em suas atividades, pois a prática docente é realmente exaustiva. Sei, entretanto que muitos deles, enquanto entregam o corpo ao merecido descanso, em breve já estarão com o “bichinho pedagógico”, o Grilo Falante docente ao ouvido, murmurando idéias para o retorno em agosto. Alguns estarão até rascunhando atividades mentalmente, pensando em novos tipos de aulas, exercícios e atividades para promover a desejada construção do conhecimento em suas salas.
Os alunos estão deslumbrados com a possibilidade real de se entregarem às suas atividades preferidas de lazer e podem se declarar agraciados.
Num passado não muito distante as férias de julho representavam um calvário para os alunos. Os professores passavam extensas lições de férias que às vezes eram até divididas pelos dias de folga. As mães ficavam felizes, pois acreditavam que as tarefas, além de deixarem seus filhos um pouco ocupados com obrigações, ainda os levaria a estar recordando os conteúdos aprendidos: mais uma oportunidade de estudo e engrandecimento.
Lembro-me de muitas professoras, minhas colegas, que exageravam na dose e crucificavam seus pupilos: dez redações, cinqüenta problemas, cem continhas, pesquisas, leituras de livros para-didáticos, mapas e tudo o que a inteligência sadicamente pudesse imaginar como tarefa.
Assim, as férias de julho para muitos educandos de décadas atrás, eram uma penosa temporada de luta contra o relógio para cumprir esses deveres.
Hoje não acredito que exista uma professora assim, que inspirada nesses modelos de outrora, ouse derrubar por cima das cabeças de seus alunos obrigações semelhantes.
Entrementes, não seria recomendável que nossos alunos pudessem ter durante as férias de julho um pequeno tempo diário ou mesmo semanal para retomar os conteúdos e deixar na ponta da língua os ensinamentos de que necessitam como base para enfrentar o segundo semestre?
Grande dica é a leitura. O aluno que lê quebra os grilhões que o mantém acorrentado aos professores, pois vai de encontro ao conhecimento por conta própria, caminhando com pés seguros.
Inevitável, no entanto, é sentir o prazer do descanso. Merecido para todos. Vamos então recarregar nossas baterias, pois quando voltamos, o peso do primeiro semestre já se fará sentir antes mesmo de começar setembro. Boas férias!
Sonia Regina Potenza Guimarães Pinheiro |