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  Eu educo, tu educas. Nós educamos?  
     
 

             Educar nunca foi fácil. Engana-se quem diz em alto e em bom som que no passado essa tarefa era menos difícil. Cada tempo com suas dificuldades. Educar é trabalho para quem gosta e para quem tem jeito.

            Na semana passada eu recebi a Dona Antonieta, que é mãe de três alunos nossos. A princípio ela queria conversar sobre umas avaliações de uma de suas filhas. Depois de certo tempo, eu notei que na verdade seu interesse era se queixar do comportamento de alguns de nossos alunos.

            Ela me disse que sua filha mais velha  que tem nove anos, se queixa de alguns de seus coleguinhas  porque eles a incomodam. A mãe inclusive me relatou episódios nos quais os alunos fazem brincadeiras de mau gosto, são agressivos, falam bobagens e palavrões.

            Eu disse a ela que realmente está muito difícil de controlar o comportamento dos alunos, porque vivemos uma real crise de valores.

            Hoje em dia  as crianças estão cada vez mais livres para decidir que caminho seguir e essa liberdade tem sido dirigida para rotas indesejáveis: desrespeito, malcriação, agressividade, violência e uma dezena de outras paradas negativas.

            Dona Antonieta me disse que está pensando em mudar seus filhos de escola. Eu lhe disse que em nenhuma escola do mundo ela encontraria  todas as crianças e jovens educados, bem comportados e que não falassem palavrões e nem fizessem brincadeiras agressivas e de mau gosto.

            A única maneira que temos para minimizar esse problema é a união forte e ferrenha entre a família e a escola. É a escola procurando pela ajuda da família e a família por sua vez confiando na escola e em suas tomadas de decisão.

            Já vivi situações nas quais os pais ouvem seus filhos e contestam as medidas de punição da escola. “ Meu filho falou que não foi só ele, o Carlinhos também chutou a porta!”. “Sendo assim,. Não aceito a advertência que foi dada a ele”. Ou então: “ Não foi meu filho que começou, foi o Ricardo”.

            Enquanto não estiverem plenamente afinadas família e escola, haverá uma lacuna imensa no trajeto que leva à educação plena de nossos jovens e crianças. Essa afinação realmente mudou bastante em alguns anos. Se não houver acordo, cada vez mais teremos cada vez menos condições de colaborar de fato com a formação integral de nossos alunos.

 

Sonia Regina P. G. Pinheiro

 
     
   
 
 
     
     
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