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  Hoje são eles. Amanhã seremos nós?  
     
 

             Ontem ficamos muito tristes! O Pedro e a Sabrina tiveram que deixar a escola!

            Eram nossos alunos desde pequenos. Lembro-me do Pedro ainda de fraldas e carregado no colo pelo  motorista do ônibus escolar.

            Que alunos adoráveis!

            Quando me disseram que eles estavam saindo da escola eu não pude compreender bem o motivo. Segundo me consta seus pais sempre estiveram muito satisfeitos com os progressos de seus filhos e  também com o fato de formarmos um grande e bela família, já que vimos todo o desenvolvimento deles, desde o primeiro dentinho permanente, à puberdade da Sabrina, seu primeiro namorico...

            Não me contentei com a incerteza e telefonei para a mãe dos meninos, a Genilda. Só consegui falar com ela no celular, porque o telefone da casa tocava até cair a linha.

            Ela ficou   surpresa com meu telefonema, mas também feliz em saber que eu me importava com seus meninos.

            Quando indaguei o motivo da saída tão abrupta da escola e sem nem sequer esperar o final do ano, parece que senti um momento de hesitação seguido de um soluço abafado.

            Ela me confidenciou que na verdade estava se mudando rapidamente, porque no prazo de quinze dias sua casa tinha sido assaltada por duas vezes e na última vez a família havia ficado sob a ameaça de armas enquanto os ladrões exigiam que dissessem onde estava o cofre.

            Eu os conheço há um bom tempo e sei que sua situação financeira melhorou bastante depois que o José Ribamar, pai dos garotos, decidiu abrir o próprio negócio. O coitado arregaçou as mangas a trabalhou feito um mouro para poder viver o seu sonho de sucesso.

            Agora ele e sua família estão correndo para não tornarem a passar pelo drama que dezenas de famílias estão passando no momento: à mercê de criminosos que debaixo das leis brandas de nosso país tripudiam, fazem e desfazem e se por algum acaso forem presos, dificilmente permanecerão atrás das grades.

            Penso também no estrago que essas experiências fazem nas pessoas. Não há como sair ileso de um choque como esse.

            Mas falando de coisa dolorida, há duas carteiras vazias na escola. Pode ser que no ano que vem elas estejam preenchidas com outros alunos, mas pensar que aquelas duas pessoas felizes e sempre risonhas estão agora tristes e chorosas me faz refletir sobre os problemas que nossa cidade tem e que de alguma forma esmagam seus cidadãos de maneira inexorável.

 

Sonia Regina P. G. Pinheiro.

 
     
   
 
 
     
     
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