A primeira vez que me sentei frente a um computador, senti-me defronte de um verdadeiro bicho-de-sete-cabeças. Lembro-me bem dos sentimentos antagônicos que me invadiram: uma mistura forte de curiosidade e medo.
Devo confessar que parecia um encontro mitológico onde eu ouvia claramente: “Decifra-me ou te devoro!”
Resisti durante muitos anos, mas finalmente capitulei e comecei a dedilhar o teclado a minha frente, de forma titubeante e desconfiada.
Hoje, viciei e não vivo mais sem passar horas e horas trabalhando e estudando em frente à tela mágica que me conecta com tanta gente importante para minha vida.
No entanto, essa maravilha que assombra, encanta, informa, ensina e tantas outras coisas mais, tem sido na minha opinião usada muitas vezes de forma errada e até criminosa.
Nossos jovens e nossas crianças estão ficando dependentes do computador de tal forma que alguns nem sentem prazer em outra vida que não a virtual; a que o computador pode proporcionar. Perigo!
Algumas famílias se precipitam a comprar o computador para seus filhos. Uns pensam que assim os conectam com o conhecimento e fazem sua parte na medida em que estão proporcionando uma ferramenta moderna e altamente eficaz nas pesquisas e nos estudos que ela oferece.
Acontece que alguns jovens que ainda não sabem bem distinguir entre o que pode ser bom e o que vai ser muito ruim estão à vontade para navegar em qualquer onda; como a do Orkut, onde crêem erroneamente que estão ocultos, a salvo e podem ofender, magoar, caluniar e discriminar sem punição.
Outros, sem conhecer como funciona o direito de imagem, colocam vídeos no Youtube, denegrindo instituições ou difamando colegas, numa diversão macabra que ensina como se portar das piores maneiras em sociedade: preconceituosa e criminosamente.
Não basta a insegurança das ruas e de outros lugares coletivos, temos que nos cuidar de outras ameaças.
É imperioso que saibamos educar nossas crianças e nossos jovens de forma a ensiná-los como se portarem de forma ética e responsável e essa medida passa necessariamente também pelo uso do computador. Por falar nisso, que tal verificar em que águas seu filho está navegando agora?
Sonia Regina Potenza G. Pinheiro |