Ontem, na fila do banco, alguns reclamavam da demora do atendimento, outros comentavam sobre o mau tempo que está reinando há quase quinze dias. Procurei continuar a leitura da revista que levei para passar o tempo. Alguém bateu de leve no meu ombro. Era o Adamastor.
Nossa, fazia um bom tempo que não encontrava com ele! Mais magro. Feliz. Recuperado da morte do pai, disse-me que foi passar as férias nos Estados Unidos. Sortudo!
O certo seria perguntar-lhe sobre os locais que visitou, se gostou, se fez compras, como estava o tempo etc...
Nem tive tempo, porque ele começou a me falar de uma coisa que o deixou estupefato. Disse-me que quando alguém vai atravessar a rua lá nos Estados Unidos, o carro começa a diminuir a marcha até parar. Os pedestres têm prioridade. Respeito!
Falou também que o povo é muito cortês no trânsito. Ninguém buzina à toa, não tomou fechadas, não foi ultrapassado pela direita, não viu ninguém burlar o limite de velocidade estipulado.
Confessou que assim que saiu do aeroporto percebeu a diferença no comportamento dos brasileiros no trânsito. Não conseguiu segurar seu pensamento e bradou: Êta país de terceiro mundo!
Deixei-o narrar outras tantas coisas, mas meu pensamento parou nas maravilhas que ele descreveu sobre a vida do pedestre e do motorista naquele país.
Fui para casa refletindo nas palavras dele. Comentei com meus familiares o que havia escutado sobre o trânsito naquele país e concluí que só pode ser porque o povo americano é bem mais escolarizado do que o brasileiro.
Temos que lutar bastante para que nosso povo estude cada vez mais. O contato com o conhecimento formal pode ser um antídoto para muitos males. Nisso eu creio fervorosamente.
Não adianta cobrar educação no trânsito, no trabalho, nos estádios, nas ruas, nos supermercados, se as pessoas não têm cultura.
Os pessimistas vão dizer que há pessoas que não têm estudo e são educadas, mas se eu não acreditar na educação e vender o meu peixe, quem o fará?
Sonia Regina P. G. Pinheiro |