Dentre as minhas melhores lembranças dos tempos de criança, estão certamente as festas nas quais podíamos estar felizes e despreocupados com os amigos, com os primos e com os irmãos.
As festas se resumiam no que eu acreditava ser a felicidade .
Naquele tempo, lembro-me bem, as festas juninas eram esperadas não só pelas crianças, mas também pelos adultos, com grande ansiedade.
Passávamos o dia de Santo Antônio na casa de uns amigos, o de São João na de outros e o de São Pedro lá em casa, por razões óbvias, sendo papai homônimo do santo que guarda a chave do céu.
Nessas festas a vizinhança toda colaborava; a meninada ajudava a fazer as bandeirinhas, os mais velhos faziam os balões, as mulheres combinavam as guloseimas e todos andavam aqui e ali juntando a madeira para a fogueira.
Hoje a alegria das festas juninas na nossa cidade fica à mercê das escolas, das paróquias e de alguns clubes. São raras as comunidades nas quais permaneceu o espírito da vizinhança e que ainda fazem suas festas juninas.
Não conheço quem despreze uma boa festa junina, com seus “caipiras” remendados, com comilança farta ao som da sanfona rápida nos acordes maiores das modinhas conhecidas.
Há, porém, quem considere muito trabalho e fuja pela culatra. Realmente dá uma mão de obra lascada preparar uma festa junina.
No entanto, se é para fugir do lugar comum, se é para tirar a meninada um pouco da sala de aula e sacudir o pó de giz nos passos da quadrilha, vale a pena.
Nas festas não estamos ensinando a regra de três, nem a combinação de elementos químicos, nem a classificação das orações subordinadas substantivas. Estamos provocando momentos de alegria sadia nos quais o aprendizado se constrói de forma prazerosa e natural .
Peço perdão aos chatos que se enfurnam na prática costumeira e correm léguas das atividades fora da sala de aula, porque nessas horas , esqueço do protocolo e entre uma mordida na pamonha e um balançar de quadril tenho vontade de gritar:Viva Santo Antonio! Viva São Pedro! Viva São João!
Sonia Regina P. G. Pinheiro |