Penso de vez em quando em como as coisas vão mudando com o tempo. Será que mudam mesmo ou mudo eu? Talvez ambas as coisas.
Nesta semana, devido a um recado que recebi de uma mãe de aluno, fiquei pensando nos presentes que eu ganhava quando comecei a lecionar. Eram coisas bizarras e estranhas para o dia de hoje: sabonete Lux embrulhado em jornal, lata de goiabada Cica, galinha viva, bandeja de ovos, sacola de chuchu, de abacate.... Tudo isso vinha junto com sorrisos.
Era a molecada que vibrava ao dar esse tipo de presente para nós professores. Nós também adorávamos sinceramente receber esses mimos, pois o valor deles estava no afeto que sabíamos, motivava as oferendas.
Hoje em dia é muito difícil recebermos um presentinho. Acho porque alguma coisa mudou e presente na atualidade tem que ser coisa boa e cara.
Da mesma forma, em outros tempos, quando resolvíamos dar um presentinho para os nossos alunos, um simples pirulito era uma festa completa; as crianças ficavam alvoroçadas. Lembro-me com carinho que uma vez vi o Serginho esconder as balinhas que dei no bolso da calça. Perguntei-lhe se não ia comê-las e ele muito sério disse que ia primeiro mostrar para a mãe o que ganhou e depois dividir com os irmãos. Lindo!
Voltando ao bilhete que deu origem a estas linhas, uma mãe se disse decepcionada pelo tamanho do ovo de Páscoa que seu filho recebeu da escola. Ela esperava coisa maior e melhor, falou sem a menor cerimônia e com todas as letras.
Fiquei triste! Confesso que minha vontade foi desistir e nunca mais na minha vida me atrever a dar o que quer que fosse para os alunos, pois a crítica magoa muito, mas preferi pensar melhor e fazer a minha parte como sempre.
Aprendi com minha família a ser grata por qualquer coisa que recebesse como presente. Experimente hoje em dia perguntar a uma criança o que quer ganhar como presente de aniversário. Muito provavelmente, se você lhe fizer o gosto, não terá como passar o restante dos dias até receber novo salário. Tempos exigentes!
Imagino que quem não pode ser grato pelas pequenas coisas que recebe, nunca sequer deve ter olhado para cima e agradecer ao Criador por tudo que nos dá. Tempos difíceis!
Sonia Regina P. G. Pinheiro |