Muitas vezes me pergunto se o ensino que nós educadores estamos oferecendo aos nossos alunos é na realidade o que irá lhes proporcionar uma vida pautada em valores que possam ajudá-los a viver uma cidadania desejável.
A idéia de futuro feliz parece ser apenas uma sombra para a juventude atual: muitos jovens já tem consciência de que as mudanças alavancadas por diversas crises econômico-social não deixam certezas de trabalho para todos.
Em tempos anteriores, pensávamos que os jovens deviam ser preparados apenas para o mercado de trabalho. Colocávamos nossas energias nessa crença e nos muníamos das armas necessárias para a empreitada na seara educacional.
Em tempos anteriores aos anteriores, os meninos eram lançados em tenra idade em locais de trabalho nos quais eram aprendizes sem remuneração. Seus pais ficavam orgulhosos ao vê-los aprender um ofício, pois dali sairia seu sustento quando fosse adulto.
Foi assim que meu pai aos 11 anos foi aprendiz de sapateiro, profissão que nunca exerceu.
Atualmente vivemos preocupados também com outros valores e assombrados por situações que nos deixam impotentes diante do desrespeito à vida e à dignidade humana.
As mídias dispõem as fraturas expostas de nossa sociedade de forma impiedosa e assim somos informados das situações de violência que grassam e assustam nossos dias e horas.
Na escola nos deparamos com violência explícita e velada, que são também alvo de muita preocupação. Parece não haver fim o rosário criativo de desrespeito desfiado pelas crianças e jovens, o que resulta em muitos conflitos.
Percebendo este estado de coisas estamos sempre propondo ações e conclamando parceiros; pais, avós, escolas amigas, universidade, palestrantes e quem de direito possa nos dar o braço nessa caminhada.
Se temos um mundo de incertezas para onde conduzir nosso educando no futuro, podemos ao menos oferecer com nosso trabalho as certezas que trazemos e dentre elas a que precisamos lutar fortemente contra todo o tipo de violência que existe em nossa sociedade .
Como proceder para tornar nossas crianças e jovens conscientes da necessidade de cultivar a não-violência como valor humano é o xis da questão. Esse enigma é a um tempo desafiador e instigante, mas também motor para que coloquemos nossa energia pedagógica em favor de mais ações e menos palavras.
É necessário que nos empenhemos no ensino de valores aos nossos alunos para que possam construir para si e para todos uma sociedade pautada em respeito e valorização do ser humano.
Sonia Regina Potenza G. Pinheiro |