Já há algum tempo costumamos fazer reunião de pais na nossa escola bem no início das aulas. Este encontro é muito diferente das outras reuniões de pais do ano. Não se fala em notas, nem em aprovação ou reprovação; visa receber as famílias, apresentando os objetivos específicos da escola e do ensino, além de proporcionar um contato inicial com os professores que os alunos terão durante o ano.
Percebemos que alguns pais não comparecem nem a esta e nem a nenhuma outra reunião de pais para qual é convocado. Entristeço-me.
Está cada vez mais difícil educar nossas crianças e jovens nesses tempos de valores mutantes e fugidios. Antes, o panorama da sociedade mudava lentamente de século em século. Atualmente notamos as transformações a cada ano. Aquilo em que se acreditava piamente, passa a ser retrógrado, ultrapassado em pouco tempo.
A escola e a família mudaram substancialmente, perdendo terreno na educação formal e informal de crianças e jovens para outros segmentos. Contudo, existe a grande constatação que os valores transmitidos por certas vias não são aqueles que edificam, que constroem e que proporcionam felicidade individual ou coletiva.
Para que possamos vislumbrar um futuro que acene com a possibilidade de cidadania desejável, necessário se faz que família e escola se irmanem e juntas encontrem os meios necessários de prover os jovens e as crianças de uma educação que satisfaça as necessidades de uma sociedade justa onde todos sejam tratados de forma humana e igual; onde todos tenham possibilidades reais de crescerem como pessoas responsáveis e felizes.
Empregar o tempo escasso, roubado da lida cotidiana, nas reuniões de pais e mestres, é um passo largo em direção aos objetivos comuns de pais e professores.
Todas as escolas deveriam chamar seus pais no início do ano. Conclamar a ajuda de todos na tarefa de educar. Ouvir o que os pais têm a propor para o ano letivo. Empunharem juntos a bandeira da educação como forma de abraçar o conhecimento ; legítimo tesouro, poupança lucrativa.
As famílias que estão sempre nas escolas são as auxiliares legítimas na arte de educar. São os parceiros ideais para que possamos transformar as práticas sociais que não fazem bem e não trazem bem.
São as famílias comprometidas com a escola de seus filhos, espertos investidores , pois estão plantando o linho que fará o lençol cheiroso e abençoado no qual poderão mais tarde repousar com a certeza do dever de pai e mãe bem feito.
Sonia Regina P. G. Pinheiro |