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  Acudam! Alunos, pais, professores e coordenadores à beira de um ataque de nervos!  
     
 

   Todos os anos a história se repete: em meados do mês de novembro, se riscar um fósforo em nossa escola pode acontecer uma explosão de mega proporções.

   Alguns alunos que durante o ano letivo empurraram literalmente com a barriga suas obrigações escolares, tendem a correr desembestado atrás dos prejuízos.

   Os pais, que por suas vez não querem que seus filhos sejam reprovados, começam a fustigar professores e coordenadores em busca de soluções, ou mesmo, jeitinhos para que seus filhos sejam promovidos para a série seguinte.

   Os professores estão de cabelo em pé com a correria do fechamento de notas e mais com a tensão sob a qual dormem e levantam; é cobrança de todo lado!

   As pobres coordenadoras estão vivendo o drama da pipoca em óleo quente; virando do avesso para atender aos alunos, aos pais, aos professores e dar conta do fechamento do trabalho pedagógico do ano com saldo positivo.

   É um clima tenso;  um andar em corda bamba onde um pequeno movimento que desequilibre provoca ferimentos sérios.

   Nossa escola optou por um sistema de aprovação e reprovação, por entender que ainda pode ser melhor do que aprovar  todos os alunos de uma série para outra sem nenhum critério.

    Pensamos que existem alunos que podem ser aprovados embora muito tenham para dar, mas dão uma ínfima porção do que poderiam e seria deles esperado. Achamos também que os alunos com sérias dificuldades, mas que progridem e se esforçam bastante devem ser aprovados. Com essas e sem mais aquelas, ficam reprovados apenas alguns alunos, pouquíssimos realmente, que têm reais deficiências no desenvolvimento dos conteúdos ministrados e que se permanecerem um ano na série em que não se saíram bem poderão aprender melhor o que lhes será novamente ensinado.

   Há também aqueles que estão “pedindo” para serem reprovados. Eles têm totais condições de cursarem a série seguinte, mas não estão acreditando que serão reprovados, embora  pelas suas atitudes, desafiaram todo o sistema com descaso e desconsideração. São aqueles que  têm quase nada escrito nos cadernos, sumiram com os livros, vivem pelos cantos com walk-man nos ouvidos ou dedilhando loucamente celulares e mini-games. Torram o dinheiro dos pais às mãos cheias. Não trabalham, não têm obrigações em casa.

   Mais do que pensar em aprovar ou reprovar alunos, a escola sente necessidade de transformar ações e atitudes . As crianças e os jovens precisam ser conscientizados de suas reais obrigações e necessidades. Sem essa conscientização brincamos de ensinar e os alunos brincam de aprender, sem se darem conta que a vida,  desculpe o bordão, não é brinquedo não.

 

Sonia Regina Potenza G. Pinheiro

 
     
   
 
 
     
     
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