Problemas em geral são fontes de conhecimento e mudança. Penso que assim devemos entendê-los para poder , através da tomada de posição em relação a eles, modificar nossa prática e construir melhor nossas ações.
Pensando nos problemas que temos em nossa escola, criamos um Grupo de Apoio. Esse grupo é formado por pais, professores e funcionários da escola.
Nós nos encontramos mais ou menos uma vez por mês para nossas reuniões que objetivam propor soluções para os problemas que enfrentamos e também propor a responsabilização de todos os membros da comunidade escolar por atos que por ventura possamos desencadear a partir desses encontros.
A princípio, nossas primeiras reuniões ficaram marcadas por manifestações dos membros do Grupo elencando os principais problemas que temos dentro de nossa escola.
Não é preciso ter bola de cristal para adivinhar quais seriam os principais “nós de madeira” que estão entravando o bom desenvolvimento de nossa prática pedagógica.
Um deles, o que reputo ser comum em todas as escolas é o da disciplina. Dentro desta ótica, ainda está o conceito de disciplina que cada um de nós tem.
Costumo falar para os pais que o problema com disciplina é geral e independe de classe social. Não podemos tentar fazer como uma avestruz e enterrar nossas cabeças na areia , fingindo que nada vai nos afetar se estivermos alheios à situação que abrange todas as escolas.
Entretanto, quando nosso Grupo procurou encontrar maneiras para enfrentar as situações de indisciplina com as quais nos debatemos, o foco das atenções passou a ser a família dos alunos.
Lembro-me bem das infindáveis recomendações que minha mãe fazia antes de minha ida diária à escola. Ela frizava como eu devia me comportar e claro, ameaçava castigar , caso me comportasse de maneira a atrapalhar o meu desenvolvimento e o dos outros alunos. Eu era terrível! Confesso!
Por fim, nosso Grupo está agora preocupado em trazer os pais à responsabilidade que devem ter com seus filhos, não obstante quanto trabalham, não obstante quantos problemas possam ter.
Culpar a própria escola e seus professores como únicos responsáveis pela indisciplina dos alunos, na opinião do Grupo e na minha pessoal, é uma maneira simplista que tenta esconder o sol sob a peneira do conformismo familiar.
As regras disciplinares quando não existem numa família são o arco e a flecha para o golpe dentro da escola. Os ferimentos que causam por hora e que parecem no presente coisa de estudante , se tornam infelizmente bagagem sem boa serventia ao futuro do cidadão que precisa aprender a cumprir regras para viver em sociedade.
Sonia Regina Potenza Guimarães Pinheiro |