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  Diga-me qual é o melhor método de ensino e eu dir-te-ei quem és!  
     
 

           Quando me perguntam qual método de ensino usamos, fico tentada a dizer nenhum. Fico zangada. Parece que o aluno aprende conforme o método de ensino e nesse caminho longo que tenho trilhado, tenho uma crença ferrenha e absoluta que o aluno aprende, independente do método que uma escola use.

            Acho que o que me deixa mais brava é o modismo. Depois que a “pedagogia” se espalhou pela mídia , pela cabeça e pela goela de muitas pessoas, ela é assunto nas bocas como o vício do chiclete, que vai perdendo o gosto, mas não se abandona.

            Houve tempos mais felizes, quando se apostava  na capacidade do aluno de aprender e na capacidade do professor de ensinar. Só. Hoje se bobear, tudo é motivo de especulação: o método de ensino, a formação do professor, se a escola adota livros ou apostila, a quantidade de alunos por sala, se adota ou não uniforme, se tem transporte próprio, se oferece plantão de dúvidas, enfim, uma sabatina de perguntas cujo objetivo, segundo minha ótica, é , ou deveria ser, a preocupação com o desenvolvimento do aluno.

             É muito difícil, em pleno século XXI competir com outros meios de informação e formação. Num passado não muito distante, a escola , através de seus professores e dos livros era basicamente uma das únicas fontes de informação para os alunos. Hoje, a competição é desigual! Há tantos apelos para os jovens e para as crianças que deixam por vezes o ensino formal de uma escola como passo retrógrado, maçante, desinteressante e lento, para um mundo que caminha agora dez anos de progresso em uma semana!

            O crédito na capacidade de aprendizado do aluno começa  em casa mesmo, quando os pais, vestidos de pretensa autoridade pedagógica classificam os filhos em fortes, médios e fracos. Não é raro recebermos alunos em cuja presença os pais já vaticinam: vai precisar de reforço, porque é muito fraco. Pronto. Fez-se o estrago!

            Pior ainda o crédito na capacidade do professor de ensinar. Atualmente parece que há um consenso que ensinar é “bico”. Qualquer um pode ser professor. É fácil! Moleza! Nesse caminho, pagamos todos o pecado pela profissão e o respeito do qual outrora usufruímos se esvai pelo ralo da desconfiança e do descrédito, justificados pelas dificuldades pelas quais passa o ensino no nosso país.

            Será muito difícil acreditar que todos nós professores somos capazes de ensinar? Será mais difícil ainda conceber que todos os nossos alunos podem aprender?

            Se há impasses, pedras gigantescas no meio do caminho dos objetivos colocados para educação formal de nossos alunos, entendo que esses entraves não são devidos a um determinado método de ensino. Antes que a caça às bruxas se instale, que se procure “caixas pretas”, busquemos apostar no valor das pessoas , nos seus potenciais e nos seus sentimentos e já teremos acertado bastante.

            Antes que eu me esqueça, descobri que o melhor método de ensino é aquele que faz com que o aluno aprenda. Não tem  nome estapafúrdio, rebuscado ou  importado. Simples como somar com os dedos e passar o resultado num papel!

 

Sonia Regina Potenza Guimarães Pinheiro

 
     
   
 
 
     
     
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