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  Presentes na festa junina: os caipiras pelos braços dos pais.  
     
 

No sábado passado tivemos festa junina na escola.

Os pais que compareceram ao evento eram quase todos sorridentes e orgulhosos condutores de “caipiras”  bem caracterizados.

Havia também muitos avós, tios e padrinhos da caipirada, todos derretidos com o jeitinho brejeiro dos pequenos.

Cada quadrilha que era anunciada causava um rebuliço nos presentes. Era um tal de chamar a garotinha que estava pescando entretida, com o olho na prenda preferida. Era um tal de procurar o menino sapeca, correndo atrás do colega.

Os familiares traziam seus pimpolhos com agrados e promessas de tempo livre após a dança para aproveitarem o quanto quisessem.

De uma hora para outra, o Armandinho desabou no choro e não queria mais dançar. Pobre da  Maria Eugênia! Ficou só olhando de lado esperançosa de que seus familiares o convencessem a bailar pelo pátio enfeitado de bandeirinhas. Não houve jeito. A professora, escolada de outros carnavais, quer dizer, arraiais, tinha trazido o afilhado, um garoto grandinho e esperto, que virava coringa e se encarregava de socorrer as damas abandonadas.

Quem pensa, que o Fabinho, este era o nome do afilhado da professora, fazia gosto de atender a madrinha, se engana. O danado sabia que se ficasse sempre à disposição dela, sobrava uma notinha amarela de vez em quando e o lanche da cantina da escola estava bem garantido.

Começava a quadrilha e era só olhar bem para ver olhos molhados atentos, sorrisos espalhados, palmas animadas e muita emoção.

Os mais velhos, saudosos de outros tempos, ficaram realmente derretidos e quando a música acabou, o guardanapo da pamonha serviu de lenço e os dançarinos foram cercados por braços e carinhos imensos.

Quem vê tudo isso e sabe como é trabalhoso organizar uma festa dentro de uma escola, sente seus esforços pagos em dobro com moeda forte.

Não há valor no mundo que pague a satisfação de trabalhar com os sentimentos e as lembranças das pessoas.

Num mundo frio, no qual ter cada vez mais se tornou mote, um hiato que representa encontro de familiares com crianças e jovens que dependem de seu apoio e carinho para se tornarem cidadãos felizes e conscientes,  deve ser sempre valorizado e cultivado.

Aposto que os professores e funcionários ficaram exaustos, mas aposto em dobro que cada sorriso, cada abraço que presenciaram é o combustível para que no ano que vem estejam a postos, com força redobrada a fim de oferecer um arraial ainda mais bonito, onde grasse não só cultivar nossas tradições,  mas sobretudo, reunir nossa comunidade escolar oferecendo momentos diferentes do dia-a dia que engole sentimentos e endurece relações.

 

Sonia Regina Potenza Guimarães Pinheiro

 

 
     
   
 
 
     
     
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