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  Texto: Lição de casa: pra quê? Por Maria Irene Maluf
 
     
 

Não é raro ouvirmos dos pais de crianças do Ensino Fundamental, principalmente, reclamações sobre a quantidade de lições que as escolas mandam para casa diariamente e até mesmo demonstrarem um certo desconforto com o fato dos professores exigirem esse período extra de estudo. Alguns alegam que a criança já cumpriu seus deveres indo às aulas e outros ficam aborrecidos com a carga de responsabilidades que vêm pesar ainda mais e, especificamente, sobre as mães.

            Por isso, vale a pena examinarmos o porquê da necessidade das lições para casa e quais as vantagens desse hábito, que atravessa anos e gerações de estudantes em todo mundo.

            Um primeiro e fundamental motivo para a existência e bom acolhimento familiar desses deveres consiste no fato de que é um momento precioso para os pais (pai e mãe, diga-se de passagem) conhecerem as habilidades e as dificuldades de seus filhos, seu grau de autonomia acadêmica, sua responsabilidade, empenho, seus novos conhecimentos, sua relação com a organização e a aprendizagem.

            Não se trata de fazer as lições pela criança, com ou junto dessa, mas apenas observando-a atentamente e ao seu material, mesmo também porque as lições são do aluno e constituem parte de uma relação deste com a escola e os pais não devem se intrometer, da mesma forma que não o fazem quando os filhos estão em aula.

            Observar a relação da criança com as tarefas acadêmicas permite conhecê-la melhor e, portanto, ter instrumentos mais eficientes para orientá-la na maneira como deve organizar e concluir tais obrigações sem perder seu período livre para brincadeiras, aulas extras e outras atividades. Oferece ainda aos familiares a oportunidade de acompanhar melhor os comentários e avaliações feitos pelos professores nas reuniões e assegurar-se de que os pedidos de apoio extracurricular realmente são necessários.

            Isso sem falar que, conhecendo melhor do que ninguém o histórico escolar do próprio filho e seu desenvolvimento, podemos perceber rapidamente qualquer dificuldade e partir em busca de soluções conjuntas com a escola, que ajudem a solucionar as dificuldades enquanto pequenas.

            Quando as crianças trazem lições para casa, normalmente as anotações vêm em uma agenda, que deve ser diariamente examinada pela família, já que a ausência ou o excesso de tarefas escolares é um claro sinal de que algo anda mal, assim como é bom o hábito de acompanhar nos livros e cadernos as tarefas feitas e o modo com são realizadas pelo aluno e corrigidas pelo professor, as quais podem predizer sucessos ou fracassos escolares muitas vezes evitáveis.

            Do ponto de vista das relações familiares, esse processo de acompanhamento das lições e cadernos ainda fornece ganhos importantíssimos: como passamos a acompanhar mais de perto a sua atuação e desempenho escolar, as crianças sentem o interesse e a colaboração dos pais e tendem a comentar sobre sua atuação diária na escola, o que facilita o diálogo, a orientação e a motivação para superar fracassos e criar interesse por novos saberes.

            Por último, como psicopedagoga, gostaria de dizer que, muitas vezes, o fracasso escolar está fundamentado na ausência desse acompanhamento dos pais nas lições de casa e pode ser facilmente evitado com essa pequenas mas importantes recomendações!

 

Maria Irene Maluf é Pedagoga especialista em Educação Especial e Psicopedagogia, Membro Honorário da Associação Portuguesa de Psicopedagogos, Conselheira Vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp, Consultora de Publicações Científicas e Editora da revista Psicopedagogia.

E-mail: irenemaluf@uol.com.br

 

Fonte: Revista Psicopedagogia

 
     
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